Qual a importância da história clínica e do exame físico no diagnóstico neurológico, em comparação com os exames complementares de imagem?
A história clínica e o exame físico são elementos fundamentais no diagnóstico neurológico. Os exames complementares devem ser utilizados para aprofundar e aprimorar o diagnóstico clínico, e nunca como procedimentos dissociados deste.
Diferencie diagnóstico sindrômico, topográfico e etiopatogênico na propedêutica neurológica.
Diagnóstico sindrômico é o conjunto de sinais e sintomas. Diagnóstico topográfico é a identificação do local acometido (anatomia). Diagnóstico etiopatogênico é a elucidação da causa (por que isso aconteceu?).
Qual a principal vantagem da Angiografia Digital por Subtração (ADS) em relação à angiografia por punção direta, e qual o método de acesso mais comum?
A ADS utiliza um sistema computadorizado que subtrai a imagem óssea, destacando apenas a imagem vascular, o que não ocorre na angiografia por punção direta. O acesso mais comum é a punção direta pela artéria femoral, com passagem de cateter.
Em que situações específicas a Ultrassonografia é utilizada em neurologia, especialmente para estudo vascular e em RNs?
A USG é usada para estudo de artéria carótida e vertebral em nível cervical, mas não para anatomia vascular intracraniana. Pode ser usada para estudo dos ventrículos em RNs (transfontanelar) e para Doppler transcraniano (janelas transorbitária, temporal ou occipital em adultos).
Qual o princípio da Tomografia Computadorizada (TC) e qual sua unidade de medida de densidade?
A TC é um método por emissão de raios X, que atravessa diferentes tecidos de maneira heterogênea, e o computador forma a imagem. Sua unidade de medida de densidade é a escala Hounsfield (unidades Hounsfield).
Classifique os tecidos do encéfalo na escala de Hounsfield da TC em ordem crescente de densidade, do mais hipodenso ao mais hiperdenso.
A ordem crescente de densidade na TC é: Ar (hipodenso, -1000 UH), Gordura (-120 a -90 UH), Líquor (+15 UH), Substância Branca (+20 a +30 UH), Substância Cinzenta (+37 a +45 UH), Osso Esponjoso (+700 UH) e Osso Cortical (hiperdenso, +3000 UH).
Quais são os 3 tipos de ‘janelas’ de visualização na TC e quando cada uma é utilizada?
As janelas são: Janela Óssea (para ver principalmente osso), Janela de Partes Moles (atenua o osso para ver partes moles) e Janela Mista (intermediária, para ver ambos).
Qual a desvantagem da TC em relação à radiografia simples em termos de radiação, e qual a taxa de exposição em mSv para TC de crânio?
A maior desvantagem da TC é a exposição à radiação, que é 100 vezes maior que a radiografia simples (radiação ionizante). A dose para TC de crânio é de 2,00 mSv, enquanto a de um RX de tórax PA é de 0,02 mSv.
Quais são os 3 principais cortes (incidências) da TC para visualizar o encéfalo?
Os 3 principais cortes da TC são: Axial ou Transversal (habitualmente paralelos ao ângulo órbito-meatal), Sagital (cortes medianos e paramedianos) e Coronal (de anterior para posterior).
Qual a principal vantagem da Ressonância Magnética (RM) sobre a TC para avaliação do sistema nervoso, e qual a unidade de campo magnético utilizada?
A RM é o método mais sofisticado atualmente para avaliação anatomo-fisiológica do SN, sendo superior à TC para ver detalhes do parênquima (lobos, nervos cranianos, circulação intracraniana) e partes moles. A unidade de campo magnético utilizada é o Tesla (T), sendo 1,5T e 3T os mais comuns.
Quais as contraindicações absolutas para a realização da Ressonância Magnética?
As contraindicações absolutas para a RM incluem: Marcapassos ou outros equipamentos não compatíveis com RM (se não especificado pelo fabricante, não fazer), e clips metálicos cerebrais. Para gestantes, não é recomendada antes de 12 semanas.
Como o contraste (gadolínio) é utilizado na RM, e quais as contraindicações e efeitos colaterais em comparação com o contraste iodado da TC?
O contraste utilizado na RM é o gadolínio, usado para realçar estruturas e alterações (ex: atividade inflamatória, tumores, pós-operatório). É paramagnético e possui menor alergenicidade que o iodado. Contraindicações incluem alergia prévia ao contraste e cautela em nefropatas (se não dialíticos) e diabéticos em uso de metformina (risco de acidose metabólica com contraste iodado, mas o gadolínio é diferente, embora a atenção à função renal persista).
Explique as sequências básicas da RM (T1, T2, FLAIR, Difusão/MAPA ADC) em relação à intensidade de sinal do líquor e suas aplicações clínicas.
As sequências básicas da RM são:
- T1: Líquor hipointenso (escuro).
- T2: Líquor hiperintenso (brilha).
- FLAIR: Intensidade do líquor é suprimida, tornando as substâncias branca e cinzenta mais intensas, usado em doenças desmielinizantes (ex: Esclerose Múltipla).
- Difusão/MAPA ADC: Denuncia o bloqueio da livre difusão de moléculas de água, usado em doenças cerebrovasculares como isquemia aguda ou subaguda.
Qual a importância do ‘Ptério’ na anatomia craniana e qual artéria importante está relacionada a essa região?
O Ptério é a região de encontro entre os ossos frontal, parietal, esfenoide e temporal. Sua craniotomia constitui uma área de acesso à fissura de Sylvius (sulco lateral) e corresponde a um ponto do trajeto da artéria meníngea média, que vasculariza as meninges.
Descreva a localização e o significado da ‘Protuberância Occipital Externa’ na vista posterior do crânio.
Na vista posterior do crânio, a Protuberância Occipital Externa marca a área de confluência dos seios venosos (seios venosos transversos e seios sagitais), sendo um importante ponto de referência anatômico.
Quais estruturas neurológicas e anatômicas importantes repousam nas fossas cranianas anterior, média e posterior, e qual a relevância da lâmina cribriforme em fraturas?
Fossa Anterior: Bulbo olfatório e lobos frontais. A lâmina cribriforme (por onde passa o n. olfatório) é uma comunicação do espaço subaracnóideo com o meio externo; fratura nessa região pode levar a rinorreia liquórica. Fossa Média: Lobos temporais, artéria meníngea média e sela túrcica (hipófise). Fossa Posterior: Forame magno (bulbo), clivus (ponte) e cerebelo. O líquor intracraniano é coletado da cisterna magna nessa região.
Qual a importância da ‘linha de Chamberlain’ na radiografia de perfil do crânio e o que significa um processo odontoide acima dela?
A linha de Chamberlain vai da espinha posterior do palato duro ao epistium. Em pacientes normais, o processo odontoide do áxis deve estar abaixo dela. Se estiver acima, representa um quadro de invaginação basilar (congênita), que em casos graves pode comprimir o bulbo e as vias piramidais.
Cite uma condição clínica na qual a radiografia do crânio tem ‘zero valor’ diagnóstico, e uma contraindicação absoluta para RX simples do crânio.
A radiografia do crânio tem ‘zero valor’ para AVC, demência ou avaliação de partes moles. Uma contraindicação absoluta para RX simples do crânio é em bebês, devido aos seus órgãos em desenvolvimento e à sensibilidade à radiação.
Como a medula espinal termina no cone medular, e qual o nível vertebral para coleta de líquor na linha mediana?
A medula espinal termina como cone medular, a nível de T12 a L2. Abaixo de L3, pode-se coletar líquor na linha mediana, aproveitando o término da medula e a presença apenas da cauda equina.
Quais as principais diferenças anatômicas entre Atlas (C1) e Áxis (C2) em relação ao corpo vertebral, côndilos e processo odontoide?
C1 (Atlas) não possui corpo vertebral e apresenta côndilos para articulação com o occipital, além de sulco para a artéria vertebral. C2 (Áxis) possui corpo vertebral com um processo odontoide (‘dente’) que articula com C1, além de uma apófise espinhosa bífida e robusta.
Quais as estruturas visualizadas na incidência ‘Transoral’ da coluna cervical, e qual sua vantagem e limitação?
A incidência Transoral (craniovertebral) visualiza C1 e C2 (incluindo o processo odontoide), e pode visualizar C3 e C4 dependendo da abertura da boca. Sua vantagem é facilitar a avaliação dessas vértebras, que ficam cobertas pela mandíbula em outras incidências. A limitação é que o paciente precisa estar acordado e ser colaborativo, com capacidade de abrir a boca.
Qual o ‘sinal da coruja’ na radiografia de coluna torácica e lombar em AP, e o que ele representa anatomicamente?
O ‘sinal da coruja’ na radiografia de coluna torácica e lombar em AP refere-se aos pedículos vertebrais como ‘olhos’ e o processo espinhoso como o ‘bico’ da coruja. Ele é um padrão de reconhecimento anatômico que auxilia na identificação das estruturas vertebrais.
Explique a ‘curva fisiológica’ da coluna vertebral (lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar, cifose sacral) e o que significa a ‘linha que cruza as cristas ilíacas’ na radiografia lombar.
A coluna vertebral apresenta curvas fisiológicas: lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar e cifose sacral. A linha que cruza as cristas ilíacas na radiografia lombar em AP deve cruzar o nível intervertebral de L4-L5, sendo um ponto de referência para orientar punções.
Descreva a ‘Figura do Cão Escocês’ na incidência oblíqua da coluna lombar, associando suas partes anatômicas e uma condição clínica (espondilolistese).
Na incidência oblíqua da coluna lombar, a ‘Figura do Cão Escocês’ é formada pelos elementos posteriores da vértebra: Olho (pedículo), Focinho (processo transverso), Orelha (processo articular superior) e Patas Dianteiras (pars articularis). A ‘coleira do cachorro’ é um sinal de espondilolistese (deslizamento da vértebra), decorrente de um defeito na pars articularis, comum em mulheres jovens com dor lombar mecânica (L4-L5 ou L5-S1).