TRM Flashcards

(49 cards)

1
Q

Defina Traumatismo Raquimedular (TRM) e Traumatismo Raquidiano, explicando a diferença entre os termos.

A

Traumatismo Raquimedular (TRM): Qualquer agressão física que acarrete lesão anatômica ou funcional na coluna vertebral (osso, disco e/ou ligamento) e/ou medular ou cauda equina. Ocorre especificamente quando há lesão da medula espinal concomitante às injúrias da coluna vertebral.
Traumatismo Raquidiano: Termo mais amplo usado para traumas em geral da coluna vertebral (osso, disco e/ou ligamento).

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2
Q

Qual a incidência de lesão medular ou nervo espinhal em fraturas da coluna vertebral, e por que todo paciente politraumatizado deve ser considerado um potencial portador de TRM?

A

Cerca de 15% a 20% de todas as fraturas da coluna vertebral terão alguma lesão na medula ou em nervo espinhal. Todo paciente politraumatizado deve ser considerado um potencial portador de TRM até que se prove o contrário, devido à sua gravidade e ao risco de lesão secundária por manejo inadequado.

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3
Q

Qual a incidência anual de TRM no Brasil, seu custo associado, e a faixa etária e sexo mais afetados?

A

A incidência de TRM no Brasil é de 32 a 52 casos/milhão de habitantes, totalizando cerca de 8.000 casos/ano. O custo associado é de R$ 300 milhões/ano. Afeta preferencialmente o sexo masculino, na faixa etária entre 15 e 40 anos.

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4
Q

Liste as principais etiologias do TRM, com ênfase nas mais frequentes e suas particularidades.

A

As principais etiologias são:
* Acidentes de trânsito: Principalmente acidentes de moto (uso de capacete pode sobrecarregar a cervical, aumentando o risco de lesão por ‘efeito chicote’). Geralmente associados a alcoolismo.
* Quedas de nível: Frequentes e diversas.
* Mergulho em água rasa: Frequente, com 90% dos pacientes alcoolizados.
* Ferimento por arma de fogo ou branca.

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5
Q

Descreva a relação entre o mecanismo do trauma e a localização anatômica da lesão medular, destacando a região mais acometida e as razões para isso.

A

A localização anatômica da lesão está diretamente relacionada ao mecanismo do trauma. Cerca de 2/3 das lesões medulares se localizam no segmento cervical, principalmente devido à hipermobilidade da coluna cervical. Pode ocorrer por trauma direto, efeito chicote (contragolpe) ou trauma indireto.

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6
Q

Quais são as curvaturas fisiológicas normais da coluna vertebral no eixo sagital e qual a implicação de curvas no eixo coronal ou alterações significativas nas lordoses/cifoses?

A

As curvaturas fisiológicas normais no eixo sagital são:
* Lordose: Normal na região cervical (convexidade para frente) e lombar (convexidade para frente).
* Cifose: Normal na região torácica (concavidade para frente) e sacrococcígea (concavidade para frente).
Curvas no eixo coronal são patológicas (escoliose). Diminuição ou aumento significativo dessas curvas fisiológicas (hiperlordose, hipercifose) também são patológicas e causam dor.

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7
Q

Descreva as particularidades anatômicas das vértebras C1 (atlas) e C2 (áxis) e sua relevância para a movimentação e estabilidade cervical.

A

C1 (atlas): Não possui corpo vertebral. É formada por arcos posterior e anterior com massas articulares, articulando superiormente com os côndilos occipitais e inferiormente com o áxis. Possui o maior forame vertebral.
C2 (áxis): Possui corpo vertebral com um processo odontoide (dente) que se projeta cranialmente, articulando com o arco anterior do atlas. Essa articulação atlantoaxial é responsável pela maior parte do movimento de rotação do pescoço (80% da rotação da cabeça).

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8
Q

Quais são os principais ligamentos da coluna vertebral e sua importância na estabilidade, especialmente em relação à ocorrência de lesões neurológicas?

A

Os ligamentos da coluna vertebral são cruciais para a sustentação. São eles:
* Ligamento Longitudinal Anterior: Muito forte e resistente, estende-se do clivus ao sacro na face anterior dos corpos vertebrais.
* Ligamento Longitudinal Posterior: Atrás do corpo vertebral, corre dentro do canal medular, formando sua parede anterior.
* Ligamento Flavo (Amarelo): Unem as lâminas vertebrais, dando boa sustentação.
* Ligamento Interespinal e Supraespinal: Entre e sobre os processos espinhosos.
* Ligamento Intertransversário e Capsular: Entre os processos transversos e envolvendo as cápsulas articulares.
Importância: Lesões ligamentares indicam um mecanismo de trauma muito intenso e quase certamente incorrem em lesão neurológica, ao contrário de fraturas ósseas isoladas.

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9
Q

Onde a medula espinhal termina na maioria da população adulta, e qual a implicação clínica de uma fratura vertebral em L2 ou T12/L1 em relação ao nível da medula ou cauda equina?

A

A medula espinhal no adulto, em grande parte da população (>70%), termina no bordo inferior de L1.
* Se um paciente apresenta uma fratura de L2 com paraplegia, isso é ‘esquisito’, pois a medula já está um pouco acima.
* Fraturas de L1 ou T12 exigem maior cuidado, pois ainda há medula nesses níveis.
* Abaixo de L2 começa a cauda equina (raízes nervosas), que é um canal mais amplo e tem menos chance de lesões neurológicas em traumas.

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10
Q

Defina dermátomo e miótomo, e cite um exemplo de cada.

A
  • Dermátomo: É a área da pele que leva informações sensíveis de cada raiz nervosa. Ex: O dermátomo do umbigo é T10.
  • Miótomo: É o grupo de músculos que cada raiz inerva. Ex: C5 inerva principalmente o deltoide (elevação do ombro).
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11
Q

Descreva a fisiopatologia da lesão primária do TRM na fase aguda, incluindo o tempo de janela para tratamento e o risco de lesões secundárias.

A

Na fase aguda (até 8h do trauma), a fisiopatologia da lesão primária envolve a transferência de energia cinética, rompimento de axônios, lesão de células nervosas e ruptura de vasos sanguíneos. Há uma janela de até 8h para intervenção, pois nesse período ocorre uma cascata de eventos que pode levar a lesões secundárias. O canal medular, sendo fechado, sofre com o edema medular, e a compressão pode transformar uma lesão parcial em completa se não houver ação rápida. Após 24h, a lesão já está estabelecida e não é mais urgência.

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12
Q

Quais são os critérios de risco que tornam obrigatória a colocação de colar cervical em um paciente traumatizado (Critérios de AZI)?

A

Os critérios de AZI para colocação obrigatória de colar cervical incluem:
* Glasgow < 14.
* Lesão neurológica em vítima de trauma.
* Vítima projetada ou encarcerada.
* Atropelamento e capotamento.
* Queda > 3m.
* Tentativa de enforcamento.
* Acidente de submersão.

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13
Q

Liste os achados no exame físico (ATLS) e neurológico que são quase patognomônicos de lesão medular após trauma.

A

Achados quase patognomônicos de lesão medular são:
* Respiração abdominal.
* Priapismo (sem estímulo sexual).
* Sinal de lesão na face ou pescoço.
Ao exame neurológico, observar também perda de resposta abaixo da lesão, alterações no controle de esfíncteres e choque neurogênico (queda da PA e bradicardia).

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14
Q

Descreva a classificação funcional da força muscular de 0 a 5, conforme o documento.

A
  • 0: Não se percebe nenhuma contração.
  • 1: Traço de contração, sem produção do movimento.
  • 2: Contração fraca, produzindo movimento com a eliminação da gravidade.
  • 3: Realiza movimento contra a gravidade, porém sem resistência adicional.
  • 4: Realiza movimento contra a resistência externa moderada e gravidade.
  • 5: É capaz de superar maior quantidade de resistência que o nível anterior.
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15
Q

Explique os três passos para determinar o nível neurológico em um paciente com TRM, conforme a classificação funcional.

A
  1. Determine os níveis sensitivos DIR/ESQ: Identificar o dermátomo intacto mais caudal (ex: abaixo de C7 não sente, anotar C7).
  2. Determine os níveis motores DIR/ESQ: Identificar o nível mais caudal com força muscular (FM) grau ≥3. Isso é feito examinando os músculos-chave e identificando o primeiro que apresentar força menor que 3, que indica o nível da lesão.
  3. Determine o nível neurológico: É o segmento mais caudal com sensibilidade intacta E FM grau ≥3.
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16
Q

Diferencie as lesões medulares ‘completa’ e ‘incompleta’ de acordo com a Escala de ASIA (A, B, C, D).

A
  • ASIA A (Completa): Nenhuma função motora ou sensitiva está preservada nos segmentos sacrais. Paciente totalmente plégico, sem sensibilidade nenhuma abaixo da lesão.
  • ASIA B (Incompleta): Nenhuma função motora está preservada abaixo do nível neurológico, incluindo os segmentos sacrais (tem sensibilidade, mas não força muscular).
  • ASIA C (Incompleta): Função motora preservada abaixo do nível neurológico, e metade dos ‘músculos-chave’ abaixo do nível neurológico com força grau <3.
  • ASIA D (Incompleta): Função motora preservada abaixo do nível neurológico, e pelo menos metade dos ‘músculos-chave’ abaixo do nível neurológico com força ≥3.
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17
Q

Defina tetraplegia e paraplegia em TRM. Em uma lesão em C6, como seria a classificação correta do paciente, considerando os termos técnicos?

A
  • Tetraplegia: Perda da função motora e sensitiva nos segmentos cervicais.
  • Paraplegia: Perda da função motora e sensitiva nos segmentos torácicos, lombares ou sacrais.
    Em uma lesão em C6, onde o paciente consegue levantar os ombros mas não cotovelo e mãos, ele é considerado tetraplégico por convenção, mas o correto seria classificá-lo como tetraparético-paraplégico de membros inferiores (pois tetraplégico no sentido estrito seria para lesões de C4 para cima).
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18
Q

Compare a utilidade do Raio-X, Tomografia Computadorizada (TC) e Ressonância Magnética (RM) no diagnóstico de TRM na fase aguda. Qual é o exame principal para trauma?

A
  • Raio-X: AP/Perfil de toda coluna. Requer visualização até C7-T1. Radiografia dinâmica contraindicada em pacientes com déficit neurológico ou inconscientes.
  • Tomografia Computadorizada (TC): Principal exame para trauma. Identifica 99,3% das fraturas vertebrais. Vê deslocamento e fratura óssea. Essencial para planejamento cirúrgico.
  • Ressonância Magnética (RM): Auxilia o diagnóstico e melhora a decisão terapêutica, especialmente para lesões ligamentares ou medulares não visíveis em RX/TC. Não é o exame de escolha para trauma agudo, mas essencial em casos de dúvida ou para prognóstico.
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19
Q

Descreva as três principais síndromes medulares (Central, Anterior, Posterior) em termos de apresentação clínica e quais tratos são afetados em cada uma.

A
  • Síndrome da Medula Central: Mais comum na região cervical. Comprometimento mais acentuado dos MMSS que dos MMII (lesão de neurônios motores superiores e de tratos sensitivos que cruzam no centro da medula). Comum em isquemia medular interna.
  • Síndrome da Medula Anterior: Perda da função motora e sensibilidade dolorosa, com preservação da propriocepção. Mais comum em FAF (Ferimentos por Arma de Fogo) e FAB (Ferimentos por Arma Branca). Afeta os tratos corticoespinhal e espinotalâmico.
  • Síndrome da Medula Posterior (Rara): Perda da sensibilidade profunda (propriocepção, tato discriminativo, vibração). Afeta os tratos grácil e cuneiforme (colunas posteriores). Ex: Sífilis medular (Tabes Dorsalis).
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20
Q

Explique a Síndrome de Brown-Séquard, detalhando as perdas motoras e sensitivas e sua lateralidade em relação à lesão medular.

A

Ocorre na hemissecção medular (lesão de uma metade da medula espinhal). Causa:
* Perda da função motora e proprioceptiva (tratos que não cruzam) do lado da lesão.
* Perda da sensibilidade à dor e temperatura (tratos que cruzam) do lado oposto.
Ex: Hemiplégico de um lado e perda de sensibilidade no lado contralateral.

21
Q

Descreva a Síndrome da Cauda Equina: sua localização, quais estruturas afeta, e quais são os achados clínicos característicos, incluindo a ‘sensibilidade em sela’.

A

Ocorre na lesão isolada dos nervos espinais da cauda equina, abaixo de L2. Afeta todas as raízes nervosas abaixo do nível da lesão. O quadro clínico inclui:
* Paresia ou plegia de MMII (dependendo do nível da raiz atingida).
* Arreflexia (lesão de segundo neurônio motor/raiz periférica).
* Distúrbios da sensibilidade: Com perda de sensibilidade em sela (ao redor do ânus, bolsa escrotal e vulva, como se estivesse sentado em uma sela de cavalo).

22
Q

Quais são os efeitos da lesão medular abaixo do nível da lesão?

A

Afeta todas as raízes nervosas abaixo do nível da lesão, resultando em paresia ou plegia de MMII, arreflexia, distúrbios da sensibilidade, e retenção vesical e fecal. É uma urgência cirúrgica para a coluna lombar.

23
Q

Quais as indicações para tratamento cirúrgico no TRM e quais os objetivos desse tratamento?

A

As indicações para tratamento cirúrgico são: instabilidade do segmento vertebral e lesão neurológica que necessita de descompressão. Os objetivos incluem preservar a anatomia e função da medula, restaurar o alinhamento da coluna, estabilizar o segmento lesado, eliminar ou reduzir o efeito de massa sobre o tecido neural, prevenir complicações gerais e locais, e restabelecer o paciente.

24
Q

Explique a classificação das fraturas vertebrais (Tipo A, B, C) baseada no tratamento cirúrgico.

A
  • Tipo A: Fratura apenas do corpo da vértebra, sem lesão de ligamento. Subdividida em A1, A2 (geralmente tratamento conservador) e A3, A4 (fraturas mais instáveis, geralmente requerem cirurgia).
  • Tipo B: Ruptura de disco ou ligamento, causando instabilidade. Sempre exige cirurgia.
  • Tipo C: Fratura com lesão neurológica e deslocamento. Sempre exige cirurgia.
25
Qual a conduta geral precoce no tratamento clínico do TRM?
A conduta geral precoce é baseada no ABC do ATLS, com objetivo de estabilizar o paciente, manter PAM > 90 mmHg e vias aéreas, além de analgesia. A Metilprednisolona era quase obrigatória, mas atualmente seu uso nessa dose não é mais amplamente indicado.
26
Qual o nível neurológico provável da lesão em um caso de paraplegia completa?
O nível sensitivo e motor intacto mais caudal é T10. A lesão é classificada como ASIA A (completa), pois não há função motora ou sensitiva preservada nos segmentos sacrais.
27
A hipotensão e bradicardia em um paciente com lesão medular são compatíveis com qual tipo de choque?
São compatíveis com choque neurogênico. A conduta é manter pressões mais altas, visando PAM > 90 mmHg.
28
Qual a implicação da ausência de priapismo e respiração abdominal em um paciente com compressão medular?
A ausência de priapismo e respiração abdominal não exclui a lesão medular. A RM é crucial para identificar lesões ligamentares ou contusões medulares que causam compressão.
29
Qual a recomendação para imobilização pré-hospitalar de um paciente com dor cervical após queda?
Todo paciente com politrauma deve ser colocado em prancha e colar cervical, mesmo que esteja consciente e sem déficit aparente.
30
Qual o principal objetivo da imobilização no local?
O principal objetivo é o reconhecimento de lesões e a prevenção de lesão adicional no transporte, evitando lesão secundária.
31
Qual o critério de risco que torna obrigatória a colocação de colar cervical?
Uma queda > 3m torna obrigatória a colocação de colar cervical.
32
Qual o exame radiográfico que poderia ser considerado para investigar uma lesão ligamentar?
A radiografia dinâmica (flexão e extensão da coluna cervical) poderia ser considerada, mas é contraindicada em pacientes com déficit neurológico ou inconscientes.
33
Qual a relação entre lesão ligamentar e lesão neurológica?
Se houver uma lesão ligamentar, é porque o trauma foi intenso, quase sempre resultando em lesão neurológica. Fraturas ósseas isoladas raramente causam lesão neurológica.
34
Qual a importância do ligamento longitudinal anterior e posterior na coluna vertebral?
O Ligamento Longitudinal Anterior fornece sustentação à coluna, enquanto o Ligamento Longitudinal Posterior também firma a estrutura da coluna, juntamente com o disco intervertebral.
35
Qual a síndrome neurológica de urgência em um paciente com dor lombar intensa e retenção urinária?
A síndrome neurológica de urgência é a Síndrome de Cauda Equina, geralmente causada por hérnia de disco lombar.
36
Qual a fisiopatologia da retenção urinária e fecal na Síndrome de Cauda Equina?
A retenção urinária e fecal ocorre devido à lesão das raízes sacrais, que são as mais sensíveis e frequentemente afetadas.
37
Qual a conduta terapêutica imediata para a Síndrome de Cauda Equina?
A conduta terapêutica imediata é a descompressão cirúrgica.
38
Qual a síndrome neurológica de urgência que se encaixa neste quadro clínico e qual sua provável etiologia?
O quadro clínico de fraqueza bilateral em MMII, sensibilidade em sela e retenção vesical/fecal é classicamente a **Síndrome da Cauda Equina**. A provável etiologia é uma **hérnia discal grande com compressão das raízes da cauda equina**.
39
Explique a fisiopatologia da retenção urinária e fecal nesta síndrome, e qual a importância das raízes sacrais.
A Síndrome da Cauda Equina envolve a lesão das raízes nervosas espinhais da cauda equina, que incluem as raízes sacrais baixas (S2-S4), responsáveis pela inervação da bexiga e do esfíncter anal. A lesão dessas raízes leva à perda da função vesical e fecal, resultando em retenção e/ou incontinência. As raízes sacrais são as mais sensíveis dessa região, e seu comprometimento é patognomônico de disfunção esfincteriana.
40
Qual a conduta terapêutica imediata para esta síndrome, considerando sua gravidade?
A Síndrome da Cauda Equina é uma **urgência cirúrgica**. O tratamento consiste na **descompressão cirúrgica de emergência** para aliviar a compressão das raízes nervosas e prevenir danos neurológicos permanentes.
41
Qual o nível provável da lesão medular, considerando a respiração abdominal e a tetraplegia?
A tetraplegia e a respiração abdominal sugerem uma lesão medular alta, provavelmente em níveis cervicais, como **C4-C5** ou acima de C4.
42
Qual o significado do priapismo nesse contexto e por que é um sinal quase patognomônico de lesão medular?
Priapismo é um sinal quase patognomônico de **lesão medular aguda**, especialmente em lesões cervicais ou torácicas altas. Ele ocorre devido à interrupção do controle autonômico simpático sobre os corpos cavernosos, permitindo a vasodilatação desregulada e o fluxo sanguíneo excessivo no pênis.
43
Apesar da TC sem fratura óbvia, qual a implicação da lesão discal e qual o exame de imagem complementar essencial para confirmar e guiar o tratamento?
A lesão discal sugere que houve um mecanismo de trauma intenso que pode ter causado compressão medular. A **Ressonância Magnética (RM)** é o exame complementar essencial neste caso, crucial para visualizar lesões de partes moles, edema medular, contusões e compressões que não são bem visíveis na TC.
44
Qual o nível neurológico da lesão e a classificação ASIA provável para este paciente?
O nível neurológico é **T6**. A classificação ASIA provável é **A (completa)**, pois há perda total de função motora e sensitiva abaixo do nível da lesão.
45
Por que a coluna torácica tem menos fraturas, e qual o impacto do mecanismo de capotamento para esse tipo de lesão?
A coluna torácica tem menos fraturas porque possui maior estabilidade local e rigidez devido à articulação com as costelas. O mecanismo de capotamento envolve forças de compressão e rotação que podem resultar em fraturas do tipo B ou C, causando instabilidade e lesão medular.
46
Qual o papel da fisiopatologia do TRM na fase aguda (até 8h) e a importância de intervenção nesse período?
A fase aguda do TRM é caracterizada por transferência de energia cinética, rompimento de axônios, lesão de células nervosas e ruptura de vasos sanguíneos. É uma **janela de intervenção crítica** para prevenir a progressão da lesão devido ao edema medular em um canal fechado.
47
Onde a medula espinhal tipicamente termina na maioria da população adulta?
A medula espinhal no adulto, em grande parte da população (>70%), termina no **bordo inferior da 1ª vértebra lombar (L1)**.
48
Qual a implicação de uma fratura em L2, levando a paraplegia, considerando a localização da medula espinhal?
Uma fratura em L2 que causa paraplegia sugere que a lesão não é diretamente na medula espinhal, mas sim na **cauda equina**, que começa abaixo desse nível.
49
O que começa abaixo do fim da medula espinhal, e qual a chance de lesão neurológica por trauma nessa região em comparação com a medula propriamente dita?
Abaixo do fim da medula espinhal, começa a **cauda equina**, que é composta pelas raízes dos nervos espinais. O canal da cauda equina é mais amplo que o canal medular, o que significa uma **menor chance de lesões neurológicas graves por trauma** em comparação com traumas que afetam a medula espinhal propriamente dita.